sábado, 29 de maio de 2010
Capítulo I.
Essa é a primeira memória que tenho, ela não é perfeita, pra falar a verdade, não me lembro de muita coisa sobre essa lembrança. Lembro que havia um céu, cujo azul igual nunca consegui ver, muito estrelado, era uma noite limpa e podia-se observar muito bem as estrelas e qualquer outra coisa que, possivelmente, movia-se por ali. Acredito que essa seja a melhor época da minha vida, talvez esteja enganado, mas posso garantir que era muito boa, a vida era simples e eu tinha apenas alguns anos de idade. A única preocupação que tinha naquela época era se comeria um cereal, minha preferência, ou uma fruta, pra agradar minha mãe, e quase sempre ficava com aquilo que mais gostava, contrariando totalmente o que minha mãe sempre dizia. Hoje vejo que deveria ter aproveitado mais aquelas frutas, mas isso não é o que importa agora. Quando tinha apenas cinco anos ouvi uma lição para minha vida toda, vinda da maior figura que tive em minha vida, meu pai, ele me disse que não importa o quanto você cresça, não importa o quão inteligente você fique ou quanto dinheiro você possa ter, há sempre algo que nunca compreenderá. Por mais incrível que possa parecer, e nem mesmo eu sei dizer o porquê, guardei aquelas palavras e meu pai. Quando tinha seis sofri um acidente grave, quase morri, mas, felizmente, Deus estava ao meu lado ou só tive sorte, não sei dizer ao certo, sobrevivi. Quando tinha oito tive uma lição da minha mãe e ela me disse: Filho, mesmo que você chegue ao topo do mundo, nunca pise em quem está abaixo de ti e sempre lembre-se de onde veio. Então, com essas poucas palavras e muito amor e apoio familiar, apesar dos desentendimentos, cresci.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Prólogo.
Antigamente o céu não era tão estrelado, eu não olhava tanto a lua e também não vagava por horas vazias pensando sobre o que estava acontecendo a mim. Os planos costumavam ser apenas para alguns instantes, nunca para sempre, os sonhos pareciam ser intocáveis e a vida sempre me foi generosa. Acontece que quando ela subia aquela escada e eu estava ali em cima sem saber o que fazer para desviar o olhar de sua direção, quando minha respiração ficou acelerada, quando tudo pareceu resumir-se a apenas ela, tudo no meu mundo teve uma notável diferença. Aquilo que sempre sonhara parecia estar logo ali a minha frente, mas como uma distancia do céu até a terra. Pudera eu ter a sabedoria para desvendar os mistérios em seus olhos, pudera também saber voar e encontrar no ar algo que te pudesse prender comigo. Então por um segundo tudo se calou, o mundo parou de girar, a paixão tomou conta, subiu a cabeça, nos fez reféns e então nos deixou para que pudéssemos ser nós mesmos novamente. Se um dia puder recordar de algo como esse começo de meio sem fim, poderei então voar, mas não como uma ave qualquer, talvez como um corvo, porque acredito que um corvo quando avistado voando sozinho seja um sinal de sorte.
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