quarta-feira, 26 de maio de 2010

Prólogo.

Antigamente o céu não era tão estrelado, eu não olhava tanto a lua e também não vagava por horas vazias pensando sobre o que estava acontecendo a mim. Os planos costumavam ser apenas para alguns instantes, nunca para sempre, os sonhos pareciam ser intocáveis e a vida sempre me foi generosa. Acontece que quando ela subia aquela escada e eu estava ali em cima sem saber o que fazer para desviar o olhar de sua direção, quando minha respiração ficou acelerada, quando tudo pareceu resumir-se a apenas ela, tudo no meu mundo teve uma notável diferença. Aquilo que sempre sonhara parecia estar logo ali a minha frente, mas como uma distancia do céu até a terra. Pudera eu ter a sabedoria para desvendar os mistérios em seus olhos, pudera também saber voar e encontrar no ar algo que te pudesse prender comigo. Então por um segundo tudo se calou, o mundo parou de girar, a paixão tomou conta, subiu a cabeça, nos fez reféns e então nos deixou para que pudéssemos ser nós mesmos novamente. Se um dia puder recordar de algo como esse começo de meio sem fim, poderei então voar, mas não como uma ave qualquer, talvez como um corvo, porque acredito que um corvo quando avistado voando sozinho seja um sinal de sorte.

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