quarta-feira, 2 de junho de 2010

Capítulo II.

Acredito que quando criança as coisas eram simplesmente sim e não, talvez não existia. Ou você queria algo ou não, muitas das vezes a decisão nem era sobre uma coisa tão importante assim, não para os parâmetros de vida que sigo agora. Sabe, no fim da vida morrer não é a coisa mais terrível que pode acontecer, o grande x da questão está em passar seus últimos dias infelizes e solitário. Quando pequeno para tudo que queria havia mais alguém que se juntava as idéias, mesmo se fosse só para brincar de pirata ou mesmo ficar em casa assistindo desenhos por horas, nessa época a preocupação estava basicamente em me alimentar e ver coisas engraçadas, os estudos eram sempre deixados em último plano, hoje não consigo parar de estudar, ler coisas, tentar me atualizar. O peso das coisas que não fiz não é grande, muitos dos dias o que pesa mais são as coisas que fiz, aquelas pessoas que fui deixando de lado, aquele emprego que aceitei em outra cidade, tudo bem que conhecimento era vital, porém hoje parece mera trivialidade. No fim de tudo o que mais penso é em como cresci feliz, horas atrás estive recordando do dia em que ganhei minha primeira bicicleta, não havia nada mais legal que aquilo, do dia em que entrei no colegial e logo após o ensino médio, aqueles sim eram bons dias. Quando fui parar naquele colégio novo e com pessoas diferentes confesso que gelei por alguns segundos, mas logo em seguida aproveitei e muito. Lembro do primeiro beijo, a minha primeira paixão juvenil e de todos os momentos que antecederam a separação dos grandes companheiros da adolescência. Aqueles sim eram ótimos dias.

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