terça-feira, 22 de junho de 2010

Capítulo IV.

Nunca soube dizer ao certo se aquelas palavras me ajudaram ou só atormentaram um pouco mais, porém elas estiveram lá e não há como mudar uma história.
- Não fique com medo, ao menos não demonstre, se eles descobrirem você está acabado.
- Quem disse que... - Virei para ver quem poderia ser - estou com medo?
- Com certeza, deve ser só minha visão que está um pouco embaçada. - Disse ele meio que sorrindo. -
Foi a primeira vez que vi Antônio, talvez tenha sido a circunstância, mas acabei achando que havia feito um novo amigo antes mesmo de adentrar o terreno do meu novo pesadelo escolar. O impressionante mesmo foi quando entrei naquele lugar pela primeira vez, lembro como se fosse hoje, senti uma forte ligação com tudo ali logo quando pisei o primeiro pé dentro, mas foi quando fiquei no meio daquele pátio imenso que tive a sensação de que tudo era possível. Meio improvável, pois, dez segundos após toda aquela nostalgia o sinal estava soando e me acordando do sonho e, finalmente, percebi que não sabia onde era minha sala e que não sabia nada. Por ser um dia quente, como de costume, decidi arriscar um pouco e não aparecer na aula naquele dia, não sei dizer, pareceu uma aventura para mim neste momento. Apenas por alguns minutos até descobrir que ninguém realmente se importava com aquilo que fazia lá, ninguém estava me tratando como uma criança e talvez devesse tomar uma atitude de gente grande e fazer as coisas corretas. Mas aquele pensamento logo fugiu e sorri sozinho, pensando em quão idiota fui por alguns segundos.

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